quarta-feira, 23 de março de 2011

Troca de guarda



O carcereiro da noite vem render o da tarde. Mas chegou um pouco mais cedo. Trouxe uma long neck.
_Eu estive pensando...
_Azar o seu.
E levou a long neck.

domingo, 13 de março de 2011

Autoridade



Uma vez eu dormi no sofá. Acordei no meio da madrugada e na TV uma atriz num filme contava um sonho: Que estava em um bote salva-vidas ultra lotado e que vários outros náufragos tentavam subir no bote, ameaçando afundá-lo. E os marinheiros cortavam suas mãos a golpes de machadinha.

terça-feira, 8 de março de 2011

Se ela pudesse ler, é o que eu lhe diria.



Se eu deixo você ir é porque eu sei que você volta
Se eu vejo você de manhã a noite demora
A tarde inteirinha seca o vaso e a flor
Só volta a se abrir com o seu sorriso molhado
Feito chuva no telhado
Durmo bem, eu como bem
Eu passo bem acompanhado
Só eu sei o quanto vale não seguir os seus passos
Pois eu sei de onde vem, pra onde vai e o que encontra na curva


Achei num mp3 da Maria Alcina, mas fiquei com preguiça de pesquisar autores, fontes, origens. Ora, (quase) ninguém lê este blog, danem-se os créditos.

quarta-feira, 2 de março de 2011

A falta de assunto




Todo mundo que escreve um dia tem de lidar com a falta de assunto. Chegou minha vez. Lá vou:

Hoje tive um dia que me deixou com a cabeça vazia. Coisas ruins mas não tão ruins que pudessem me fazer chorar ou mesmo ficar de cara amarrada.

E se hoje me sentasse com um amigo ou uma amiga para tomar uma cerveja eu não teria nada a dizer. Porque o dia me deixou com a cabeça vazia.

Dizem que quando a gente tem uma fratura muito, muito feia, a gente nem sente mesmo a dor ali na hora. O corpo aciona algum tipo de defesa que bloqueia a dor.

Hoje minha cabeça fez algo assim.

E como este é um acontecimento raro, vale registrar.

Hoje, tudo o que eu queria era... Ora, nem sei.


quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Alberto Caeiro e bandas cover



Tem as bandas cover. Que tocam músicas de outros grupos. Tem aquelas que escolhem só os hits mais óbvios de cada banda. Tem as que se orgulham de tocar só os "lado B".

As que tocam covers de uma única banda são meio bizarras. Sei lá o que dizer delas.

Nos cursinhos pré-vestibular também há coisas assim. Reli recentemente um poema do mestre Caeiro. Um típico "lado A". Toda vez que uma apostila vai falar dele, mostra ou aquele poema do Menino Jesus ou este:

Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.

Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.

Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.

O primeiro que chamar isso de materialismo leva um croque no cocoruto.



sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Não ter o que fazer




Resolvi dar aulas para os "terceira idade", como voluntário, sábados de manhã. De informática. Aí apresentei o grande portal da internet, Mr. Google. Expliquei o que era, como funcionava. Perguntaram: "mas ele acha qualquer coisa?" Eu disse "qualquer coisa. Se não tá no google, é realmente difícil de achar".

Uma senhora resolveu digitar "qualquer coisa" e me veio com o seguinte link:


A conclusão dela: "Esse negócio de internet é coisa de quem não tem o que fazer".

Tem a ver.


sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Mais do mesmo




Mais uma vez e de novo repetindo novamente uma vez mais.

Certamente neste exato ponto precisamente outra vez.

Com a força de toda a certeza do mundo. Mais uma vez.

De novo. Sempre. Para sempre.

Muy discretamente, puxo o tapete do futuro. Ele cai. Era pra ser mais uma vez.

Não foi. Mas que coisa, não?