quarta-feira, 10 de outubro de 2012
Preguiça
Eu sou o ser mais preguiçoso da galáxia. Sério. Só estou esperando protocolarem e enviarem meu certificado da associação intergalática.
E andava meio incomodado com o uso do termo nos debates públicos. "Ai que preguiça", cada vez que alguém se depara com uma idéia (I-DÉ-I-A: tirem as mãos do meu acento agudo) muito, muito contrária. Como profissional do ramo fiquei algo agastado com a banalização do termo.
Mas enfim, estou dando aulas em um colégio e estava tomando o clássico café na sala dos professores. E um professor mais que ateu, ateísta, quero dizer, ativista do ateísmo, me saiu com esta:
"Uma aluna disse em aula - mas se deus não existe como é que os gatos têm listras tão bonitas? - eu simplesmente não tive paciência de argumentar. Que preguiça desse tipo de abordagem." Nota: a aluna tem menos de quinze anos.
Tive que sair do meu habitual silêncio:
"É por causa de uns profissionais fraquinhos como você que o mundo tá cheio de gente preguiçosa. Você está ensinando essa garotada desde cedo que existem questionamentos inteligentes e questionamentos burros - os que dão preguiça no intelectual de alto gabarito".
Ele me olhou com aquela cara de "vou contar tudo pra diretora". Pensei "Me fodi". Mas já que tinha começado continuei:
"O questionamento da menina é pra começo de conversa suficientemente poético pra merecer a atenção até de um chimpanzé. Mas o que você não enxerga é que independentemente do conteúdo do questionamento, ele é importante por si só. A gente precisa incentivar a discussão, incentivar a dúvida. Por causa de uns tipinhos que nem você é que os jornais, a TV, os livros e as revistas estão cheias de gente dizendo "aaaaii meo deos, que preguiça dessa gente ignorante, infantil" - porque não vêem importância nos questionamentos em si - só vêem importância nos questionamentos que passam pelo crivo de sua erudição. Tinham que ter aprendido a não ser preguiçosos desde o primário - ou ensino fundamental, como queira."
Meu colega de departamento estava gravando tudo, por isso que estou com o diálogo assim, debaixo dos dedos, palavra por palavra. Ele quer botar no YouTube, mas não vou deixar. Preguiça de ler os comentários depois.
domingo, 19 de agosto de 2012
Um pouco de calma
Nada contra a alegria. Mas precisa de tanto decibéu? Me interessam mais as brincadeiras com as palavras do que as brincadeiras com os alto-falantes.
Decibéu, por exemplo. Erro por erro, melhor no texto do que na orelha.
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Eis que nada mais belo ou mais útil, uma vez mais.
Poeira nos painéis, latas de cerveja vazias, embalagens de pizza. Tempo de fazer uma pequena limpeza na espaçonave.
Tempo de desperdiçar um pouquinho de tempo.
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
O banco
Então o banco me emprestou uma grana. E eu não tenho como pagar.
Perdeu, preibói.
_ah, mas tem os juros.
Sei. Pega eu.
domingo, 24 de julho de 2011
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Caminhando
E vamos andando. Dizem que para aquelas bandas há quem se importe com logarítmos, versos brancos, derivadas, discos do Itamar Assumpção, tabelas periódicas, esculturas, mecânica, Fernando Pessoa, Gauss, Hollywood, seriados de TV e algoritmos.
Não boto muita fé, mas vamos indo. Vai que é verdade. Pior do que aqui não será, espero.
Vamos andando que a vida é curta e a morte é certa. Bom, não é mais tão certa assim, mas a gente usa o ditado assim mesmo, pra dizer que não há pressa mas também não há tempo a perder.
sexta-feira, 17 de junho de 2011
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